A História

Texto: Igor Andrade

Apesar dos desafios, tanto Nintendo quanto Latamel, que foi rebatizada e virou Juegos de Video Latinoamérica (JVLAT), queriam expandir seus negócios pelo país. Por consequência, a representação nacional expandiu sua força de trabalho − o pequeno escritório na Avenida Paulista virou metade de um andar de uma das torres do World Trade Center São Paulo, ambos na capital paulista.

 

O esforço era necessário, já que haveria mais controle sobre as ações de importação e distribuição. Antes este serviço era praticamente terceirizado. Ou seja, o desembaraço dos produtos e o envio para as redes de lojas era feito até então através de parceiras como a Logistic Network Technology e a NC Games.

 

A mudança de nome aconteceu em 1º de abril de 2011, e tudo isso foi motivado pelo Nintendo 3DS, primeiro console da Big N com menus, minijogos e aplicativos em português brasileiro. O GameCube teve tal recurso, mas foi uma iniciativa da Gradiente que ficou restrita para os lotes nacionais.

 

A aposta era tão grande em agradar aos nintendistas que o portátil foi apresentado entre 11 e 13 de março no GameWorld, evento promovido pela Tambor, editora da Nintendo World. Em menos de duas semanas seria lançado nos Estados Unidos. "É um grande passo para nós", celebrou Bill van Zyll, diretor da Big N para a América Latina, em entrevista para a revista oficial.

 

Certificado pela Anatel, com manual em português, assistência técnica e carregador bivolt, o aparelho estreou em terras tupiniquins em 9 de julho daquele ano. Acompanhado de nintendogs + cats, Steel Diver, Pilotwings Resort e The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D, custava R$ 1.199.

 

Ainda em novembro do mesmo ano, Reggie Fils-Aimé esteve em São Paulo para analisar as estruturas do país. E no roteiro houve até uma visita pela região da Santa Ifigênia, no centro da cidade, que é a porta de entrada do mercado informal.

 

"O Brasil é um país grande, cuja economia está crescendo muito, em comparação com períodos anteriores. Nossa presença, contudo, ainda é pequena. Temos um parceiro local, a Gaming do Brasil, que funciona como nossas pernas, braços, olhos e ouvidos. O país não se limita a São Paulo e, por isso, temos de distribuir nossos produtos em outras regiões, como o Nordeste. Em todos os mercados onde atuamos, a Nintendo é uma marca voltada às massas. No Brasil, não pode ser diferente", explicou o presidente da NoA para a jornalista Renata Honorato, da Veja.

 

Disponibilizado aqui um ano depois em relação aos Estados Unidos, o Wii U acendeu o sinal amarelo. O console não teve um bom desempenho ao redor do globo, trazendo prejuízos para a centenária companhia. Ao mesmo tempo, a economia local entrou em mais uma crise, dessa vez política e financeira. Na Brasil Game Show de 2014 surgiram os rumores sobre fim das operações da Big N. Um press release, enviado pela agência S2 Publicom à imprensa ao meio-dia de 9 de janeiro de 2015, confirmou os boatos.

 

“O Brasil é um mercado importante para a Nintendo e lar de muitos fãs apaixonados mas, infelizmente, desafios no ambiente local de negócios fizeram nosso modelo de distribuição atual no país insustentável. Estes desafios incluem as altas tarifas sobre importação que se aplicam ao nosso setor e a nossa decisão de não ter uma operação de fabricação local. Trabalhando junto com a Juegos de Video Latinoamérica, iremos monitorar a evolução do ambiente de negócios e avaliar a melhor maneira de servir nossos fãs brasileiros no futuro", disse Bill van Zyll.

 

“Somos profundamente gratos pelo trabalho duro e pelas muitas contribuições feitas por cada valioso membro da Gaming do Brasil. Nos últimos anos trabalhamos juntos para apresentar os consoles Wii U e o Nintendo 3DS para os fãs brasileiros, assim como nos lançamentos de títulos populares como Super Smash Bros. for Wii U e Super Smash Bros. for Nintendo 3DS, Mario Kart 8, The Legend of Zelda: A Link Between Worlds, Donkey Kong Country: Tropical Freeze e muitos outros”, completou o diretor da NoA para a América Latina.

 

Apesar da interrupção, algumas atividades ocorreram desde então, como o lançamento das versões de Wii U e Nintendo 3DS de Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games e do Super Nintendo Classic Edition. Houve também a localização para o PT-BR de Miitomo e Super Mario Run, ambos jogos mobile.

 

E não dá para ignorar o caso da Redibra, que se tornou sua agência de licenciamento em 2016. Isso já rendeu alguns frutos como os cadernos da Foroni, as roupas da Riachuelo, as sandálias das Havaianas, as fantasias da Sulamericana, as mochilas da Dermiwil e as embalagens e materiais decorativos da Cromus.